Eleições 2016

Gustavo Fruet (PDT), herdeiro das velhas oligarquias

Atual prefeito está entre os cinco candidatos à Prefeitura de Curitiba que vêm de famílias tradicionais da política

Curitiba (PR)

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Gustavo Fruet é candidato pelo PDT, apresenta o atual vereador Paulo Salamuni (PV)  como vice e faz parte de coligação que reúne PDT, PV, PTB, PRB e PPS / Maurilio Cheli/ SMCS

Nove candidatos disputam as eleições pela Prefeitura de Curitiba em 2016. Além do candidato à reeleição Gustavo Fruet (PDT), concorrem no pleito o ex-prefeito Rafael Greca (PMN), os deputados estaduais Requião Filho (PMDB), Ney Leprevost (PSD), Tadeu Veneri (PT) e Maria Victória (PP), a advogada e militante feminista Xênia Mello (PSOL), o empresário Ademar Pereira (Pros) e Afonso Rangel (PRP), pró-reitor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). 

Em geral, uma radiografia das relações de parentesco dos candidatos nos leva a uma constatação: dos nove, cinco vêm de famílias tradicionais da política. E é exatamente estes cinco candidatos que possuem as maiores coligações na disputa. Isso vale para o atual prefeito, Gustavo Fruet, como para seus principais adversários, Requião Filho, Rafael Greca, Ney Leprevost e Maria Victória Barros. Todos são herdeiros diretos e indiretos das velhas oligarquias que dominam o Paraná para tentar gerir o Estado com suas novas gerações. Os partidos não são mais do que braços dessas famílias.

Vejamos as relações de parentesco na política e a trajetória do atual prefeito Gustavo Fruet. 

Gustavo Fruet (PDT)

Vice: Paulo Salamuni (PV) 

Coligação: PDT, PV, PTB, PRB e PPS

Gustavo Fruet nasceu em Curitiba no dia 18 de abril de 1963. Filho de Maurício Fruet e Ivete Ana Bonato Fruet. Irmão de Eleonora e Cláudio Fruet. 

Gustavo foi aluno do Colégio Santa Maria desde os sete anos de idade. Em 1979, aos 16 anos, se mudou para Brasília com o pai, que havia sido eleito à Câmara Federal. Pouco depois, passou no vestibular para cursar direito na Universidade de Brasília (UnB), onde foi presidente de centro acadêmico. Gustavo concluiu os estudos na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com atuação política no movimento estudantil, como presidente do Centro Acadêmico Hugo Simas. Fez mestrado e doutorado também em Direito pela mesma Instituição.

O avô de Gustavo, Constante Eugênio Fruet, foi presidente do Coritiba Foot-bool Clube em duas ocasiões, 1916-1917 e 1926. Com sua esposa, Geni Roslindo Fruet, foram dirigentes da Escola Dominical da Igreja Presbiteriana Independente de Curitiba do Largo da Ordem, bastante tradicional nas primeiras décadas do século passado. O tio-avô de Gustavo, Humberto Fruet, foi o primeiro presidente do Savóia Futebol Clube, um dos primeiros clubes que deram origem ao Paraná Clube.

Trajetória política

Gustavo entrou na política por meio do pai Maurício Fruet, ex-prefeito de Curitiba. Nascido ena capital paranaense, em 12 de agosto de 1939, Maurício se graduou Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFPR, foi vereador em Curitiba (1968-1970), deputado estadual por duas gestões (1970-1974 e 1974- 1978), deputado federal (1978-1982), prefeito de Curitiba (1983-1985) e novamente deputado federal (1986-1990). Foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, no primeiro governo de Roberto Requião (1991 – 1994). 

Em 1998, Maurício Fruet estava em campanha para voltar à Câmara dos Deputados quando faleceu, no dia 30 de agosto, em Curitiba. A sua candidatura foi substituída pela de seu filho Gustavo Fruet, que fora eleito vereador de Curitiba em 1996. Foi o segundo candidato mais votado em Curitiba, com 45.929 votos. Em 2002, foi eleito para o segundo mandato de deputado federal, com 105.166 votos. Em 2006, Gustavo Fruet reelegeu-se com 210.674 votos, que fizeram dele o deputado federal mais votado do Paraná. Nas eleições de 2012, foi eleito prefeito de Curitiba para a gestão 2013-2016.

Como prefeito de Curitiba entre 2012 e 2016, Gustavo Fruet indicou a esposa, Márcia Oleskovicz Fruet, para comandar a Fundação de Ação Social (FAS) e a irmã, Eleonora Fruet, para assumir a Secretaria de Finanças.

Eleonora Fruet é economista formada pela Universidade Federal do Paraná em 1988, onde foi Presidente do Centro Acadêmico de Economia. Formada, começou a trabalhar na empresa Directa Auditores e Consultores (1989 a 1995), foi professora do Departamento de Economia da UFPR, nos cursos de graduação e pós-graduação em Ciências Econômicas em 1997 e 1998.  Sócia-diretora da empresa de consultoria econômico-financeira Macrodinâmica. Secretária de Estado do Planejamento e Coordenação Geral do Paraná de 2003 a 2004 no Governo Requião e Secretária Municipal da Educação de Curitiba de 2005 a 2010 nos governo Beto Richa e Luciano Ducci. 

Seu outro irmão Cláudio Bonato Fruet é bacharel em Direito pela Universidade de Brasília, desde 1985. Advogado do Escritório Caputo Bastos & Fruet, como noticiado na imprensa, é um dos responsáveis pela escolha dos caças Gripen da Suécia pelo governo brasileiro.  

A família Fruet também tem um pé no judiciário paranaense, com a juíza Beatriz Fruet, com Josiene Fruet Bettini Lupion, que foi Defensora-Geral do Estado do Paraná, ‎com Tânia Fruet, assessora jurídica no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, entre outros. 

Nas eleições de 2016, Gustavo Fruet apresentou a segunda maior declaração de bens dos postulantes com R$ 2,9 milhões. Entre os bens de maior valor estão um apartamento (R$ 745 mil), um fundo de investimentos no Banco do Brasil (R$ 333,7 mil) e uma aplicação de renda fixa (R$ 300 mil) no banco Itaú. 

Paulo Salamuni (PV) 

Gustavo apresentou um novo candidato a vice em 2016, o vereador Paulo Salamuni (PV). Nascido em Curitiba, Paulo cursou o 1.º e 2.º graus no Colégio Jesuíta Nossa Senhora Medianeira de 1967 a 1978, se formou em Direito na PUC-PR, foi Procurador do Município de Curitiba e Secretário Municipal de Desenvolvimento Social de Curitiba de 1987 a 1988. Hoje, está como vereador no seu 6.º mandato popular consecutivo. 

Paulo é filho dos professores Hôda e Riad Salamuni, um dos mais importantes geólogos paranaenses e primeiro Reitor eleito da Universidade Federal do Paraná. Riad Salamuni, descendente de libaneses, formou-se em 1952 em História Natural, vindo a trabalhar como assistente de professor. Estudou Geologia nos Estados Unidos nas universidades de Miami e Chicago entre 1954/55. 

De volta ao Brasil, apesar de ter oportunidade de trabalhar na Bahia, onde a Petrobras implantava o primeiro curso de Geologia, Riad preferiu, por razões familiares - seu pai estava doente na época - tornar-se assistente de um geólogo amador de Ponta Grossa, Frederico Lauding. A decisão ocorreu depois que Riad foi recusado como assistente pelo mais famoso e respeitado geólogo na época, Reinhard Maark (1891-1968). Anos depois, juntos fariam importantes trabalhos científicos, inclusive no mapeamento geológico do Estado, área em que o Paraná foi pioneiro. Riad foi membro do antigo PSB (Partido Socialista Brasileiro), defendendo de ideias nacionalistas. 

O irmão de Paulo é Eduardo Salamuni, graduado em Geologia pela Universidade Federal do Paraná (1986), Mestre (1991) e Doutor (1999) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP. Professor Associado I na Universidade Federal do Paraná nos Cursos de Graduação e Pós-Graduação de Geologia. Foi Diretor Presidente da MINEROPAR de 2003 a 2011 nos governos Requião e é Chefe do Departamento de Geologia da UFPR nas Gestões 2013-2015 e 2015-2017. 

*Fernando Marcelino Pereira é graduado em Relações Internacionais pela UniCuritiba, Mestre em Ciência Política e Doutorando em Sociologia pela UFPR.