Eleições 2016

Ney Leprevost (PSD), herdeiro das velhas oligarquias

Deputado estadual está entre os cinco candidatos à Prefeitura de Curitiba que vêm de famílias tradicionais da política

Curitiba (PR)

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Ney Leprevost é candidato pelo PSD, apresenta João Guilherme Moraes (PSC) como vice e participa da coligação entre PSD, PSC, PEN, PPL, PTC, PSL e PCdoB / Pedro Ribas/ANPr


 



Nove candidatos disputam as eleições pela Prefeitura de Curitiba em 2016. Além do candidato à reeleição Gustavo Fruet (PDT), concorrem no pleito o ex-prefeito Rafael Greca (PMN), os deputados estaduais Requião Filho (PMDB), Ney Leprevost (PSD), Tadeu Veneri (PT) e Maria Victória (PP), a advogada e militante feminista Xênia Mello (PSOL), o empresário Ademar Pereira (Pros) e Afonso Rangel (PRP), pró-reitor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). 

Em geral, uma radiografia das relações de parentesco dos candidatos nos leva a uma constatação: dos nove, cinco vêm de famílias tradicionais da política. E é exatamente estes cinco candidatos que possuem as maiores coligações na disputa. Isso vale para o atual prefeito, Gustavo Fruet, como para seus principais adversários, Requião Filho, Rafael Greca, Ney Leprevost e Maria Victória Barros. Todos são herdeiros diretos e indiretos das velhas oligarquias que dominam o Paraná para tentar gerir o Estado com suas novas gerações. Os partidos não são mais do que braços dessas famílias.

Vejamos as relações de parentesco na política e a trajetória de Ney Leprevost. 

Ney Leprevost (PSD) 

Vice: João Guilherme Moraes (PSC) 

Coligação: PSD, PSC, PEN, PPL, PTC, PSL e PCdoB.

Ney Leprevost nasceu em Curitiba, no dia 26 de outubro de 1973. Iniciou sua carreira aos 13 anos de idade como comentarista esportivo. Dois anos mais tarde, já tinha seu próprio programa na Rádio Difusora 590. Aos 22 anos foi eleito para o seu 1º mandato na Câmara Municipal de Curitiba, sendo nesta época o vereador mais jovem da cidade. Três anos mais tarde, em 1999, foi convidado para assumir a Secretaria de Estado do Esporte e Turismo do governo Lerner, tornando-se o secretário mais jovem do Brasil.

Em 2000 e 2004 reelegeu-se como vereador na Câmara Municipal de Curitiba e no ano de 2006 se candidatou a deputado estadual do Paraná. Elegeu-se com 53.471 votos, sendo o deputado estadual mais votado entre os que tentaram pela primeira vez o cargo. Em 2010, foi reeleito deputado estadual sendo o mais votado de Curitiba, com cerca de 80 mil votos. 

Para a campanha para prefeito, dono de uma das maiores coligações, com sete siglas, Leprevost decidiu por um vice “não político”, o médico João Guilherme Moraes (PSC), ligado a Ratinho Jr. (PSD), que sonha suceder Richa no governo do Estado em 2018. Ney Leprevost (PSD), o último a solicitar o registro de candidatura, disse possuir um patrimônio no valor de R$ 860,4 mil.

O avô de Ney, que tinha o mesmo nome. Nasceu em Curitiba no dia 23 de outubro de 1911. Filho de José Leprevost e de Angelina Curial. Estudou no antigo Ginásio Paranaense, da rua Ébano Pereira. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, em 1936. Começou sua carreira como fiscal do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (1935-1936). Serviu como primeiro Presidente da Junta de Conciliação e Julgamento do Paraná, origem do Tribunal do Trabalho. Integrou o conselho da Ordem dos Advogados de 1937 a 1947.

Atuante no Partido Social Democrático (PSD), foi candidato a deputado por duas vezes, sendo eleito como suplente. Exerceu entre 1947 e 1948 o cargo de Procurador-Geral do Estado. Prefeito de Curitiba de 1948 a 1949. Foi Procurador Fiscal até 1954, cargo no qual se aposentou. Foi Procurador no Tribunal de Contas de 1947 a 1957. Empresário, edificou o prédio da Galeria Tijucas, marco da cidade nas décadas de 1950 e 1960. Morreu em 6 de setembro de 1979. 

Parentesco

O pai, Luiz Antonio Leprevost, nasceu em 30 de setembro de 1953. Formou em Direito na Faculdade de Direito de Curitiba em 1976. 

Durante da faculdade foi Operador de Créditos e financiamentos do Grupo Financeiro Ipiranga de 1971 a 1974. Depois foi Auxiliar de Gerencia no Banco Bamerindus do Brasil S/A de 1975 a 1978. Ocupou diversos cargos no Banco Real de São Paulo entre 1978 e 1983. Foi Diretor Administrativo Financeiro do Banestado S/A de 1984 a 1987. Foi Diretor Estatutário da Hermes Macedo Financiadora S/A de 1990 a 1992. Diretor de Recursos Humanos e Diretor de Serviços – Telecomunicações do Paraná S/A. – Telepar de 1992 a 1993. Diretor Técnico e de Operações – CIC – Companhia de Desenvolvimento de Curitiba em 1995.

Também foi Diretor de Finanças e Patrimônio da Paranáprevidência, Vice–Presidente e 1º Tesoureiro da Associação Comercial do Paraná de 1991 a 1993. Conselheiro dp Clube Curitibano de 1997 a 2010; Conselheiro – Associação Comercial do Paraná em 2002. Conselheiro da Federação das Indústrias do Estado do Paraná em 2002. Conselheiro do Graciosa Country Clube em 2011. Foi membro do conselho de administração da SANEPAR de 2011 a 2015, depois diretor da subsidiária Copel Renováveis,

O tio de Ney, José Carlos Leprevost, nasceu em Curitiba no dia 19 de novembro de 1940, filho de Nei Leprevost e de Estela Surugi Leprevost. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná em 1962. Ainda no Paraná, exerceu os cargos de assistente técnico da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura e oficial-de-gabinete da Secretaria do Interior e Justiça.

No pleito de novembro de 1966, elegeu-se deputado federal por seu estado na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação política ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Em novembro de 1970, foi reeleito na mesma legenda. Em janeiro de 1975 deixou definitivamente a Câmara dos Deputados.

Afastado da política, passou a dedicar-se às atividades na área da mineração e constituiu as empresas Leprevost e Cia. Ltda., Mineração Morretes Ltda. e Mineração São Brás S.A., em associação ao grupo de assistência médica paulista Samcil. Paralelamente às atividades nesse ramo, continuou no TCE-PR. Em 1989, foi convidado pelo governador de Rondônia, Jerônimo Santana (1987-1991), a assumir a Secretaria de Estado. Neste período ocupou o cargo de presidente da Companhia de Mineração de Rondônia (CMR). De volta ao Paraná, retomou suas atividades no TCE, aposentando-se em 1993.

A partir de então, passou a centralizar seus esforços para reativar a Metalurgia de Chumbo da Plumbum, implantada no vale da Ribeira. Entretanto, não foi bem-sucedido em seu empreendimento, pois a empresa fechou as portas em 1995 em meio a acusações de danos ao meio-ambiente e à saúde dos habitantes do município de Adrianópolis, localizado na região. 

O irmão de Ney é João Guilherme Leprevost, dono do Bar da Brama e da CWB Brasil, empresa de entretenimento e organizadora de eventos musicais e culturais, alguns financiados pela Prefeitura Municipal de Curitiba.

As conexões entre os poderosos são curiosas, atravessam conjunturas e o jogo situação-oposição. O deputado Ney Leprevost declarou seu orgulho pelo fato do seu grande amigo Alexandre Khury ter sido eleito 1º Secretário da Assembléia Legislativa. Khury começou sua vida pública como estagiário da Secretaria Estadual de Esporte e Turismo quando Leprevost, fiel aliado político de seu avô, era o responsável pela pasta.

*Fernando Marcelino Pereira é graduado em Relações Internacionais pela UniCuritiba, Mestre em Ciência Política e Doutorando em Sociologia pela UFPR