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África do Sul: há 25 anos, eleição marcava fim do apartheid, mas não da desigualdade

Em contraposição ao "Dia da Liberdade" celebrado no país, movimentos promovem ato do "Dia da Não Liberdade"

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No aniversário da primeira eleição após o fim do apartheid, manifestantes denunciam que segregação ainda atinge comunidades negras pobres
No aniversário da primeira eleição após o fim do apartheid, manifestantes denunciam que segregação ainda atinge comunidades negras pobres | Crédito: Rajesh Jantilal

Vinte cinco anos atrás, as eleições gerais da África do Sul de 1994 marcavam o fim de mais de quatro décadas do regime do apartheid. Foi a primeira vez que todas as pessoas acima de 18 anos de todas as raças tiveram direito a voto, e Nelson Mandela foi eleito presidente. Desde então, o país celebra o “Dia da Liberdade” em 27 de abril.

Em 2005, no entanto, movimentos populares começaram a utilizar a mesma data para realizar a jornada do “Dia da Não Liberdade”, denunciando que o fim do regime de segregação racial não significou a conquista da igualdade entre a maioria negra e a minoria branca do país.

O ato é organizado pelo movimento de moradores de favelas Abahlali baseMjondolo (AbM), maior organização popular que surgiu após o fim do apartheid além do Congresso Nacional Africano (CNA), partido hoje no poder.

Falando para manifestantes que saíram de zonas rurais, albergues e ocupações de diversas regiões do país para participar da mobilização na cidade de Durban, o presidente do AbM, S’busiso Zikode, lembrou que o movimento é alvo constante de repressão, assassinatos e perseguições, e que “não existe liberdade real, apenas uma falsa liberdade”.

“Não temos motivo para celebrar o Dia da Liberdade, apenas lamentar. Não temos motivo para celebrar se somos pobres e não temos terra”, afirmou Zikode. “Sabemos que os partidos políticos só lembram de nós nas eleições. Não temos receio de dizer publicamente que o CNA é assassino e perigoso para nossa sociedade… E mata nosso povo”, denunciou.

Pela primeira vez, o Sindicato dos Metalúrgicos da África do Sul (Numsa), maior entidade de classe do país, e a Federação Sul-africana de Sindicatos (Saftu) participaram do ato organizado pelo AbM. Também aderiram o recém-lançado Partido Socialista Revolucionário dos Trabalhadores (SRWP), além de organizações populares e de migrantes.

Entre as falas no ato “Dia da Não Liberdade”, os movimentos declararam apoio a migrantes e pessoas LGBT e ressaltaram o compromisso com a construção do poder das mulheres em luta e da unidade entre trabalhadores e comunidades.

A pouco mais de uma semana das eleições, o ato também fez fortes críticas ao partido do atual governo, o CNA. 

“Aos moradores de favelas de todo o país, digo que vocês devem votar. Mas votem para tirar o CNA”, declarou Nomusa Sizani, secretária-geral do AbM.

“Não devemos votar em quem não faz nada por nós. Não devemos votar nas mesmas pessoas que nos matam. Não podemos votar pela nossa própria cova. O CNA não nos enxerga. Não nos trata como seres humanos. Não podemos dar nosso voto a ele”, acrescentou.

As eleições gerais para a assembleia nacional e as legislaturas provinciais da África do Sul acontecerão na próxima semana, no dia 8 de maio.

*Com informações de Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, Tshisimani – Centre for Activist Education e New Frame

Editado por: Aline Scátola

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