À beira do Guajará

Jovens ocupam o Curro Velho e transformam Belém em território vivo da COP30

Primeiro acampamento juvenil das COPs reúne jovens de 80 países no tradicional centro cultural da cidade

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às margens da Baia do Guajará, o Curro Velho tornou-se a Cidade das Juventudes, abrigando cerca de 200 jovens de 80 países
Às margens da Baia do Guajará, o Curro Velho é um tradicional centro cultural e educacional para os jovens periféricos e tornou-se a Cidade das Juventudes na COP30 | Crédito: Eraldo Paulino/Brasil de Fato

Às margens da Baía do Guajará, a Fundação Curro Velho, um centro cultural e educacional com mais de 30 anos de existência, tornou-se a Cidade das Juventudes, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Desde o domingo (9), o espaço converteu-se em abrigo e palco para 200 jovens de 80 países e diversos estados brasileiros. É a primeira vez, em toda a história das COPs, que um acampamento inteiro é pensado exclusivamente para eles e elas.

“Esse espaço é historicamente ocupado pelas juventudes periféricas de Belém, especialmente da Vila da Barca. É muito simbólico que a Cidade das Juventudes esteja aqui”, afirmou Suane Barreirinhas, uma das coordenadoras do espaço.

Construído em 1861 para abrigar o primeiro matadouro de Belém, o prédio foi reformulado na década de 1990 para tornar-se o centro cultural. Com a COP30, o equipamento público pertencente à Fundação Cultural do Pará foi revitalizado, com nova pintura e climatização no prédio principal, compondo o legado da COP30 para a Belém.

Ali, sotaques se misturam ao som de passos apressados, ao arrastar das malas, ao burburinho das línguas que se cruzam. No local, que pulsa como um organismo vivo, estão sendo realizadas também oficinas e debates, além de celebrações culturais e luaus.

A iniciativa idealizada pela Secretaria Nacional da Juventude pela Campeã Climática de Juventude da COP30, com apoio do Ministério das Mulheres, do UNFPA (sigla em inglês para Fundo de População das Nações Unidas) e da campeã de juventude da COP30, Marcele Oliveira.

O quilombola Jailson Santos é um dos representantes do Quilombo de Oiteiro dos Nogueiras, no Maranhão, comunidade que vem adotando práticas sustentáveis. | Crédito: Eraldo Paulino/Brasil de Fato

A maioria dos hóspedes no Curro Velho estão participando de alguma atividade na zona azul da COP30, como é o caso de Janilson dos Santos, jovem quilombola da comunidade Oitero dos Nogueiras, no município de Itapecuru Mirim, no Maranhão. “A gente tem um projeto que trabalha a sustentabilidade na minha comunidade, e decidimos que deveríamos participar desse debate global sobre a proteção do meio ambiente”, declarou.

“Eu saí perguntando pra todo mundo onde que tinha pousada, até que um abençoado me indicou esse espaço, quando eu já estava desesperado achando que não iria ter onde ficar”, recorda André Cristi, natural de São Paulo que veio a Belém acompanhando um grupo de indígenas Muras e Mundurukus pelo coletivo Maloca Socialista, um agrupamento do Psol.

André se reconhece na face juvenil da COP30, após encontrar com diversos jovens que participam de intercâmbios, debates, workshops e plenárias nas zonas azul e verde, bem como construindo a luta nas ruas. “A gente avalia que vamos ter muitos novos militantes, seja em Belém, seja no restante do mundo, o que vai nos dar uma capacidade de organização política e de pensar politicamente, na perspectiva da mudança” afirma o colega de dormitório e de militância de André, Ryan Vieira, de Manaus-AM.

Na Plenária Final, será apresentada a Carta da Juventude à COP30, documento que sintetiza sonhos, propostas e compromissos capazes de atravessar o evento e ganhar o mundo. No Curro Velho, a Cidade das Juventudes permanece como um experimento de futuro. Um território onde arte, política e cuidado se encontram para afirmar, diante de uma emergência sem fronteiras, que a juventude não espera ser convidada: “ela chega, ocupa e transforma.”, conclui André.

O Curro Velho transformou-se na Cidade das Juventudes com um alojamento para 200 jovens de 80 países | Crédito: Eraldo Paulino/Brasil de Fato

Editado por: Luís Indriunas

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