A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional após o fim do recesso parlamentar abre, também, o ano eleitoral em Brasília (DF). E, para a a cientista política Rosemary Segurado, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), será um ano desafiador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em temas como a segurança pública.
Em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Segurado lembrou que o Congresso atual tem um perfil conservador, e esses parlamentares costumam dar declarações públicas para capitalizar sobre segurança, embora nem sempre atuem de fato para combater o problema. Muitas vezes esvaziam as ferramentas e recursos para investigações e responsabilizações de pessoas que cometem crimes.
Ela citou como exemplo as discussões sobre o Projeto de Lei Antifacção, cujo texto foi desidratado e alterado pela oposição, capitaneada pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), até chegar a uma proposta que retirava a Polícia Federal das investigações sobre os grupos criminosos e milícias.
“Esse jogo deve permanecer neste ano, e vai exigir do governo e dos congressistas do governo uma habilidade muito grande para demonstrar que aqueles que efetivamente querem enfrentar um problema sério vão ter que aprovar medidas efetivas para isso. Tentar desmascarar esses que fazem um jogo, que adoram posar atrás da questão do ‘bandido bom é bandido morto'”, resumiu.
A especialista afirma que ainda é muito cedo para prever o desfecho das eleições presidenciais. Apesar de o presidente Lula seguir líder das pesquisas feitas por diferentes institutos e de haver bons indicadores econômicos e sociais no país, o caminho em busca da reeleição não deve ser fácil.
“Hoje a gente vive uma política bastante pautada pelo debate e pelo conflito nas redes digitais. Muitas lideranças políticas de oposição vão às redes e colocam teorias da conspiração, discursos de ódio e fake news para atingir essa candidatura. Isso tende a ser muito pior nesta eleição”, alertou.
Ainda não há mesmo uma definição sobre quem serão os adversários de Lula na disputa de outubro. Movimentos como o do PSD, de Gilberto Kassab, que filiou Ronaldo Caiado a seu partido, embaralham o cenário.
“A candidatura de Flávio Bolsonaro vai se consolidando no dia a dia, e vai deixando de abrir espaço para que outras no mesmo espectro, de direita ou centro-direita, se consolidem. O que é consolidado é a liderança do presidente Lula em todos os cenários. O jogo mais aberto é a indefinição nesse outro campo”, completou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
