Deputada sem-terra

Marina do MST reúne 1,5 mil pessoas em lançamento da pré-candidatura à reeleição na Alerj

Sede do Cordão do Bola Preta recebeu famílias assentadas, movimentos sociais e políticos

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Marina do MST e Benedita da Silva
Marina do MST e Benedita da Silva | Crédito: Alice Muniz

A deputada estadual Marina do MST (PT) lançou, na noite da última sexta-feira (10), sua pré-candidatura à reeleição como deputada estadual da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O evento reuniu cerca de 1,5 mil pessoas na sede do Bola Preta, na Lapa, no centro do Rio, de acordo com a organização do evento. Marina do MST foi eleita deputada pela primeira vez em 2022, com 46.422 votos, indicada pelo MST para representar o movimento no campo da institucionalidade política do Rio.  

O lançamento contou com a presença de figuras políticas, lideranças de movimentos sociais e famílias assentadas de todo o estado. Estiveram presentes as deputadas federais Benedita da Silva (PT) e Jandira Feghalli (PCdoB), os deputados federais Lindbergh Farias (PT) e Glauber Braga (Psol), a vereadora do Rio Maíra do MST (PT), a ex-ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), a vereadora de Niterói Benny Briolly (PT) e Nísia Trindade (PT), ex-ministra da Saúde. 

Também estiveram presentes lideranças dos seguintes movimentos: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Levante Popular da Juventude, Movimento Brasil Popular (MBP), Central de Movimentos Populares (CMP), Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Agroecologia do RJ, Sindipetro Norte Fluminense, Senge (Sindicato dos Engenheiros), além de representações da Cozinha de Matriz Africana, da Pastoral Afro e de diversas comunidades quilombolas e assentamentos da Reforma Agrária vindos do Norte Fluminense, Região dos Lagos, Costa Verde, Sul Fluminense e Região Serrana. 

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“É uma honra para mim também, companheirada, ser filha de sem-terra, ser uma lutadora através da ocupação dos latifúndios improdutivos neste estado e neste país pela realização da reforma agrária. Poder hoje exercer o mandato da primeira mulher sem-terra deputada estadual na Assembleia Legislativa e estar hoje com vocês neste lançamento é muito significativo. Quero dizer que não aceitei ser pré-candidata à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por interesse próprio ou pessoal. Eu só aceitei essa tarefa de ser pré-candidata novamente a deputada aqui no Rio de Janeiro porque foi uma missão dada pelo PT, pelos movimentos sociais e pelo MST”, declarou a deputada. 

Lançamento da pré-candidatura da deputada estadual Marina do MST no Rio (Foto: Alice Muniz)

Marina falou ao lado de diversas lideranças políticas, dentre elas a pré-candidata ao Senado pelo PT no Rio, Benedita da Silva, que destacou a necessidade de fortalecer a reeleição de Marina à Alerj e aumentar as bancadas progressistas no Legislativo de todo o país.

“Vai ser uma campanha dura, uma campanha terrivelmente dura, onde a direita fascista está se preparando para tomar o Congresso Nacional, para tomar as Assembleias Legislativas, não se enganem, para que realmente eles consigam estar no grande intento que têm que é verdadeiramente fazer esse apartheid, é fazer essa separação, é não deixar os movimentos serem organizados, dos trabalhadores do campo e os trabalhadores da cidade”, disse Benedita. 

Lutas que percorrem todo o estado 

O estado do Rio conta com 2.500 famílias em 20 assentamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), e a maioria delas faz parte da trajetória da dirigente do MST antes da eleição para a Alerj, como a Iva Resende Costa, de 77 anos, do assentamento Irmã Dorothy.

“Eu sou uma das matriarcas lá do assentamento. E eu conheço a Marina há muitos anos, antes de ser deputada. A Marina muito nos ajudou e ela é uma bênção nas nossas vidas. Eu duvido que ela não ganhe disparado aí, porque tem muito assentamento e ela ajudou todos”, disse a matriarca. 

Marina também contou com o apoio de lideranças religiosas no evento, dentre elas a ialorixá Roberta Costa de Iemanjá. “A deputada Marina do MST é uma mulher de fibra e nossa defensora aqui no estado do Rio de Janeiro. Ela é uma verdadeira batalhadora da soberania e segurança alimentar dos povos de matrizes africanas”, destacou. 

Marina do MST é formada em Assistente Social pela UFRJ e mestra em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe. Ela foi orientada pelo professor Paulo Alentejano, conhecido como Paulinho Chinelo, professor da Uerj. “Nossos caminhos se cruzam desde 1996 de várias formas. Acompanhei a Marina nas ocupações de terra, colaborei com o MST como professor universitário e ainda tivemos a felicidade de sermos vizinhos na vila campesina, vendo nossas filhas crescerem juntas. É uma amiga fantástica que transborda força, alegria e luta”, disse. 

Apoio de lideranças políticas

Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT) destacou a atuação de Marina como deputada, sua força como militante e sua generosidade com as pessoas. “Marina é uma deputada fantástica, lutadora de todas as causas do campo e da cidade. Tenho muito orgulho de sua trajetória. É uma guerreira afetuosa e de coração enorme, que se preocupa com cada pessoa.”

Natural de Nova Friburgo, o deputado federal Glauber Braga (Psol) lembrou da firmeza da deputada Marina do MST ao enfrentar uma tentativa de atentado em Lumiar que tentava parar sua defesa dos pequenos produtores da região. “Marina é sinônimo de coragem e uma militante imprescindível. Tenho profunda admiração por toda a sua luta pela reforma agrária e pelo povo brasileiro, além da forma firme e corajosa com que enfrentou os ataques em Lumiar”, destacou. 

O episódio também foi lembrado pela deputada federal Jandira Feghalli (PCdoB), que destacou a importância de manter a presença da Marina no espaço da política institucional. “Estamos aqui para registrar nosso orgulho e admiração pelo trabalho da Marina na política. Assim como eu e outras mulheres, ela também sofreu com ameaças e violência. A resposta que precisamos dar a esses fascistas agressores é fazer da Marina uma das deputadas mais votadas do estado do Rio de Janeiro”, disse. 

Ex-ministra dos Direitos Humanos e pré-candidata à deputada federal, Anielle Franco destacou o carinho que toda a família tem por Marina. “Ela sempre segurou a nossa mão, nossa história não vem de hoje, vem de muito antes e é uma honra caminhar ao seu lado, com a minha família, e com o propósito que a gente tem”, disse. 

A vereadora do Rio, Maíra do MST (PT), destacou a inspiração na militância da Marina para sua própria trajetória no movimento estudantil. “Eu a conheci em uma das organizações do MST quando eu tinha 16 anos. Eu estava começando a me organizar politicamente e conheci a Marina na Feira Estadual Cícero Guedes. Desde então, é uma referência para mim na organização do povo sem terra, mas também das principais lutas de classe”, disse Maíra. 

O presidente da Câmara de Paraty, primeiro vereador caiçara da cidade, Waguinho de São Gonçalo destacou a relação entre os movimentos de luta “Desde que nos conhecemos no seu gabinete na Alerj, temos uma luta constante pelo direito das comunidades tradicionais e uma grande amizade juntos”, disse. 

Editado por: Clivia Mesquita

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