Visita à China

Rússia diz que Irã não teria bloqueado Estreito de Ormuz sem a agressão dos EUA

Chanceler russo realiza visita oficial à China em 14 e 15 de abril; Moscou e Pequim criticaram o bloqueio de Washington

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, durante discurso na Assembleia Geral da ONU
Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, durante discurso na Assembleia Geral da ONU | Crédito: Reprodução/ONU

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em visita à China nesta quarta-feira (15), afirmou que o Irã não teria ousado restringir a navegação pelo Estreito de Ormuz se não tivesse sido alvo de agressão por parte dos EUA e de Israel.

De acordo com ele, os países árabes do Golfo Pérsico entendem isso. O ministro observou que conversou repetidamente com seus homólogos da região nas últimas semanas.

“Eles não podem contestar a tese, que é muito simples: o Irã teria tomado alguma medida para fechar o Estreito de Ormuz ou atacar alvos estadunidenses na Península Arábica se não fosse pela agressão de Washington e de Israel contra a República Islâmica? Todos entendem que isso não teria acontecido”, disse o ministro.

Serguei Lavrov chegou para visita oficial a Pequim na última terça-feira (14). No primeiro dia, ele se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e, no segundo, com o líder chinês, Xi Jinping.

Lavrov acrescentou que o bloqueio dessa rota afeta não apenas o fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito, mas também o de alimentos e fertilizantes. Segundo ele, a questão principal não é identificar os responsáveis, mas sim compreender e abordar as causas profundas da situação atual.

Posteriormente, depois de participar da reunião com Xi Jinping, o chanceler russo explicou os motivos pelos quais Moscou e Pequim bloquearam a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Estreito de Ormuz. De acordo com Lavrov, a resolução discutida nas Nações Unidas se limitava a “criticar o Irã e não refletia a realidade”.

A Rússia e a China bloquearam uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Estreito de Ormuz no último dia 7. O documento foi elaborado pelo Bahrein, que detém a presidência do Conselho de Segurança em abril deste ano, com o apoio de países árabes, e foi emendado diversas vezes. A versão final, entre outras coisas, exigia que o Irã cessasse imediatamente os ataques e deixava em aberto a possibilidade de novas medidas.

No domingo (12), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha do país deveria interceptar qualquer navio que tenha pago um pedágio a Teerã por atravessar o Estreito de Ormuz. Além disso, na segunda-feira (13), o Comando Central estadunidense (CENTCOM) declarou que o país lançará “um bloqueio naval ao Irã, impedindo que navios entrem nos portos da República Islâmica ou deixem suas costas”.

Ao comentar o bloqueio de Washington, Serguei Lavrov afirmou que a Rússia espera que os Estados Unidos sejam realistas e cessem sua agressão, que está causando um grande sofrimento entre seus aliados.

Editado por: Rafaella Coury

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