É ano eleitoral, em que a educação vira a “queridinha” dos políticos, afinal, quem é contra a educação? Pelo contrário, ela é prioridade na campanha, da direita à esquerda, passando pelos mil tons de ideologias/fisiologias. É cansativo, porque sabemos ser uma retórica fácil e que a educação seguirá sendo “gasto” pós eleições.
Muitos estudos estão apontando que logo teremos uma grande falta de professores nas escolas brasileiras. A projeção é que 57,5% dos professores das redes estaduais brasileiras se aposentarão até 2034 (CPP/SP, 2025). Até 2040 o Brasil deverá ter um déficit de até 235 mil docentes na educação básica (Instituto Semesp/2025). E essa tese se agrava quando 41% dos professores nos últimos 5 anos desistiram da profissão (Inep, 2023) por vários motivos, mas sem dúvida a pouca valorização salarial, que sim, é muito importante para qualquer profissão, e a precariedade de infraestrutura básica são decisivas para agravar cada vez mais o desinteresse pela docência.
Vejamos a alguns pontos. O Piso Nacional do Magistério atualmente é de 3 salários mínimos para 40h semanais. Exatamente, é o que recebe um professor com graduação, apto à profissão e pior, um terço dos municípios brasileiros não cumpriram o pagamento do Piso Nacional do Magistério (Anuário Brasileiro da Educação Básica – Abeb/set/2025), ou seja, nem os três salários mínimos foram pagos. Para receberem o piso, milhares dos professores precisam acionar a Justiça. É um absurdo.
Quando falamos de infraestrutura, há “show” de desestímulos, a ponto de 51,8% das escolas do Brasil não terem sequer esgoto tratado (Abeb/set/2025), e pasmem, 63% das nossas escolas não possuem biblioteca (Censo Escolar 2025). Atualmente, um terço das escolas públicas não contam com acesso à internet em condições adequadas para uso pedagógico (Programa Escolas Conectadas, MCom/MEC/2025). É um desafio entrar numa sala de aula e ter de dar conta, além dos conteúdos, das demandas da sociedade, até porque tudo vira uma responsabilidade da escola, já perceberam? Na hora do trabalho a escola e os professores são sempre lembrados.
Sem falar na parte pedagógica, da formação continuada dos professores, cada dia mais “invadida” por influencers, escritores de autoajuda e subcelebridades com suas “palestras-shows”, ocupando as jornadas pedagógicas em cachês generosos, que pouco deixam de pesquisa, de experiência de sala de aula aos professores, muitas vezes à deriva. Há boas experiências, mas os números gerais são alarmantes e assustam.
Precisamos exigir dos gestores públicos seriedade no trato da educação, sob pena de em pouco tempo não termos mais professores, colapsando o sistema educacional. Afinal, sem professores não existem a maioria das profissões. E não tem jeito, sem uma educação decente, não teremos um país efetivamente, relevante no mundo. Nutrindo alguma esperança, fiquemos de olho nos candidatos!
*João Paulo Reis Costa é historiador e doutor em Desenvolvimento Regional
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
