Durante participação na cúpula do G7, bloco que reúne sete das maiores economias do mundo, o governo brasileiro rejeitou a maioria dos textos apresentados, tendo apoiado o documento que versa sobre combate ao câncer e tráfico de drogas, e manifestou concordância sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambiente digital.
A analista internacional Amanda Harumy considera que o posicionamento de Lula durante a cúpula foi diplomático e reflete a defesa do Sul Global e do multilateralismo, que “se encontra em crise”. A análise leva em conta a posição do Brasil como convidado do anfitrião, já que o Brasil não integra oficialmente o grupo. Partiu de Emmanuel Macron a solicitação da presença do presidente brasileiro.
“A agenda apresentada pelo presidente Lula é de fortalecer as negociações, a reconstrução dos espaços multilaterais que hoje se encontram muito esvaziados, a questão de regulamentação de inteligência artificial. Além disso, o presidente Lula toca numa agenda fundamental, que é a questão do narcotráfico, lembrando que há poucos dias os Estados Unidos passaram a considerar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, fato que pode ter um impacto sobre essa vontade de intervenções diretas dos EUA no nosso território e na nossa soberania”, explica em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
“De forma muito diplomática, com palavras que não levam ao enfrentamento, Lula sinalizou uma agenda pelo multilateralismo e de defesa da soberania”, destaca. “O Brasil mostra que tem a voz e a agenda do Sul Global, enquanto o G7 tem outras prioridades.”
Harumy também avalia como positivo o fato de Lula ter levado à reunião a questão dos bloqueios à carne brasileira, porque esse episódio pode impactar uma parceria que o Brasil se esforçou muito para firmar, que é o acordo Mercosul-União Europeia.
“Essas barreiras fitossanitárias que são usadas, vez ou outra, para impactar um setor ou outro nos preocupa, porque isso pode ser um método constante que leve a um esvaziamento do próprio acordo, que foi um esforço político do Lula e que representa uma leitura geopolítica de aproximação com a Europa. Porque, se formos avaliar, a Europa está se isolando, as relações com os EUA cada vez mais questionáveis, porque o Trump mantém uma relação hostil aos interesses da Europa, eles mantêm o financiamento da guerra na Ucrânia. E o Brasil e o Mercosul são interessantes para essa relação política, mas também para relações comerciais”, avalia.
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