O senador Iván Cepeda reconheceu, nesta quarta-feira (24), a vitória de Abelardo de la Espriella na disputa presidencial na Colômbia. Em pronunciamento, Cepeda frisou que aceitaria o resultado “em nome da convivência democrática”, visando preservar a estabilidade institucional.
“Menos de 1% dos votos separa os candidatos que participaram desta eleição. Este é o melhor resultado eleitoral já alcançado por setores progressistas e movimentos sociais na Colômbia”, disse Cepeda.
No último domingo (21), a apuração preliminar apontou que Espriella recebeu 49,66% dos votos, contra 48,70% do senador apoiado pelo presidente Gustavo Petro. O grupo derrotado não reconheceu o resultado imediato, preferindo esperar o escrutínio do voto — um mecanismo do sistema eleitoral colombiano.
No discurso, Cepeda defendeu o exercício de uma “oposição democrática, vigilante e construtiva, mas também resoluta e inabalável na defesa do povo”. Ele clamou pela mobilização das forças de oposição ao futuro governo Espriella, destacando as conquistas sociais do governo Petro.
“Ao longo da nossa história republicana, as forças progressistas lideraram as ampliações dos direitos, fortaleceram as liberdades públicas e defenderam a democracia, quando foi ameaçada. Estivemos sempre ao lado da participação popular, da Constituição e da soberania popular”, afirmou.
Cepeda também denunciou o que definiu como “aberta e indevida ingerência estrangeira nos assuntos internos da Colômbia, particularmente as intervenções realizadas pelo governo dos Estados Unidos […] e pelo presidente Donald Trump à candidatura Abelardo de la Espriella”.
O senador também acusou a campanha de Espriella de promover uma “massiva operação de compra de votos” por meio do uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), sem dar mais detalhes.
Eixos da resistência
Ainda sobre as diretrizes de oposição que o partido Pacto Histórico deverá seguir, Cepeda destacou “a resistência e a desobediência civil pacífica”.
“Estaremos juntos às comunidades, nos territórios, nos bairros populares, no campo e nas cidades. Acompanharemos as lutas sociais, as causas da juventude, das mulheres, dos trabalhadores, dos povos étnicos, dos camponeses e das classes médias”, frisou.
“Ao De la Espriella e ao novo governo, dizemos com toda clareza: nenhuma política de ajuste fiscal pode incluir a destruição das conquistas alcançadas pelo povo colombiano, nem do salário vital [cálculo que supera o salário mínimo na Colômbia], nem da reforma agrária, nem das aposentadorias, nem da ‘matrícula zero’ para os estudantes de universidades públicas”, afirmou.
Futuro da Colômbia
Abelardo de la Espriella, advogado criminalista e empresário, deve assumir a presidência colombiana no próximo mês de agosto para um mandato de quatro anos, sem reeleição. Ele promete um governo baseado no incentivo à redução da estrutura do Estado.
Outro eixo da plataforma política do candidato vencedor diz respeito ao tema da violência. De la Espriella já se comprometeu a construir megacárceres no país, chegando a dizer que pode encerrar as negociações com grupos armados.
Para conseguir governar, porém, De la Espriella terá que negociar com as forças progressistas e de centro. No Senado colombiano, composto por 108 legisladores, o presidente eleito contará apenas com três senadores do Partido da Salvação Nacional. Por outro lado, a expectativa é que ele conte com o apoio de parte dos 17 membros do Centro Democrático. O Pacto Histórico continua tendo a maior bancada, com 25 senadores.
A direção do pêndulo político no Senado da Colômbia será definida pelos movimentos dos partidos Liberal, Conservador, Cambio Radical e La U.
