Oriente Médio

Hezbollah rejeita acordo entre Israel e Líbano e defende memorando assinado por Irã e EUA para fim do conflito 

O líder do grupo acusou o governo libanês de legitimar a ocupação israelense no país

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Uma multidão assiste à transmissão de um discurso de Naim Qassem, líder do Hezbollah
Uma multidão assiste à transmissão de um discurso de Naim Qassem, líder do Hezbollah | Crédito: Ibrahim Amro/AFP

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou neste sábado (27) o acordo entre Israel e Líbano mediado pelos Estados Unidos e defendeu a aplicação do memorando de entendimento que foi assinado entre Irã e Estados Unidos, que prevê, entre outros pontos, o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. 

O grupo afirmou que o acordo bilateral entre Israel e Líbano não tem validade e voltou a se posicionar contra as negociações diretas entre os dois países.

Em comunicado, Qassem afirmou que “o acordo em Washington [entre Israel e Líbano] é humilhante, vergonhoso e uma rendição de soberania. Este acordo é nulo e sem efeito, e as disposições do memorando de entendimento Irã-Estados Unidos devem ser aplicadas”. 

Qassem também acusou as autoridades libanesas de “legitimar” a ocupação israelense e pediu que o governo se arrependa de “seus pecados, que estão arruinando o Líbano”. Segundo o líder do Hezbollah, o Líbano “legitimou” a ocupação israelense “por muitos anos”, o que “poderia até levar à anexação dessas terras”.

Acordo-quadro

Nesta sexta-feira (26), Israel, Líbano e Estados Unidos assinaram um acordo que estabelece as bases para futuras negociações em Washington. O conteúdo do documento não foi divulgado. Segundo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o objetivo é criar uma base para uma “paz e segurança duradouras”. 

“Temos o prazer de anunciar um acordo-quadro entre o governo soberano do Líbano e o governo de Israel, com a mediação e o apoio dos Estados Unidos”, disse Rubio, e afirmou que o tratado estabelece “uma base para uma paz e segurança duradouras”.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o acordo como “um primeiro passo” para restaurar a soberania do país. O texto prevê que as Forças Armadas libanesas restabeleçam a autoridade sobre todo o território libanês até que seja verificado o desarmamento dos grupos armados. Também ficou definido que o Exército do Líbano assumirá o controle de duas zonas piloto, uma ao sul e outra ao norte do rio Litani.

Pouco depois da assinatura, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses permanecerão no sul do Líbano até que o Hezbollah entregue as armas. Segundo Netanyahu, “o mais importante de tudo é que Israel permaneça na zona de segurança no sul do Líbano. Essa é uma conquista importante, e a manteremos até que o Hezbollah seja desarmado”. Netanyahu também declarou que o Exército mantém “total liberdade de ação” contra qualquer ameaça na região ocupada.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, por sua vez, afirmou que as Forças Armadas receberam instruções para se prepararem para uma “permanência prolongada” na zona de segurança ocupada por Israel no sul do Líbano. Segundo ele, “não haverá redistribuição de tropas por parte de Israel no sul do Líbano, nem retirada, enquanto a organização terrorista Hezbollah não for desarmada em todo o Líbano”. 

Katz também ameaçou responder caso o Irã tente impedir a implementação do acordo. “Se o Irã tentar atacar Israel para impedir a implementação do acordo, agiremos contra ele com grande força”, declarou. O ministro acrescentou que o acordo representou um “golpe estratégico no eixo iraniano”.

Neste sábado (27), aviões israelenses realizaram um ataque contra a cidade de Nabatieh al Fawqa, no sul do Líbano, segundo relatos de jornalistas no local e da Agência Nacional de Notícias do Líbano. O bombardeio ocorreu por volta das 12h30, no horário de Brasília, depois de outro ataque nas proximidades da cidade, um dia após a assinatura do acordo.

Editado por: Geisa Marques

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