Tragédia humanitária

‘Somos Venezuela’: campanha de solidariedade arrecada doações para ajudar vítimas de terremotos

Movimentos sociais brasileiros arrecadam fundos para comprar insumos; iniciativa se soma ao apoio enviado pelo governo

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Em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 27 de junho de 2026, pessoas fazem fila para receber alimentos e bebidas doados após os terremotos
Em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 27 de junho de 2026, pessoas fazem fila para receber alimentos e bebidas doados após os terremotos | Crédito: Miguel Medina / Pool / AFP

Movimentos populares brasileiros lançaram a campanha de solidariedade internacionalista “Somos Venezuela”, uma iniciativa emergencial de arrecadação financeira para auxiliar as vítimas dos recentes terremotos no país vizinho. A ação, unificada em torno do recebimento de doações via pix, tem como principal foco a compra e o envio de medicamentos e insumos básicos para minimizar os efeitos imediatos do desastre nas comunidades afetadas.

A mobilização ocorre diante de um cenário devastador gerado pelos tremores, considerados os mais fortes na Venezuela em mais de um século. O balanço mais recente indica 1.943 mortos, mais de 10.500 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos. As equipes de resgate já conseguiram retirar mais de 6.400 pessoas com vida dos escombros e seguem atuando no sexto dia de buscas, especialmente no estado de La Guaira, onde os abalos foram mais severos.

Segundo as diretrizes da campanha, a opção por uma doação financeira unificada visa ampliar a arrecadação e fortalecer o caráter unitário do campo popular brasileiro nesta resposta à crise. Os organizadores destacam que, enquanto governos e organizações internacionais já enviam voluntários para apoio médico e resgate, a contribuição dos movimentos populares se concentrará na urgência do fornecimento de remédios.

O engajamento também se reflete na solidariedade política e humanitária de organizações atuantes no país. A coordenadora da Brigada do MST na Venezuela, Rosana Fernandes, destacou a posição histórica da organização em relação ao país vizinho: “Queremos reafirmar que nós, do Movimento Sem Terra, somos sempre solidários com o povo da Venezuela”. Ela pontuou que o movimento defende as ações governamentais voltadas para a estruturação social a partir dos territórios e do povo.

Sobre a resposta institucional imediata ao desastre, a representante do MST ressaltou o empenho do Estado venezuelano e da atual presidente encarregada. Segundo ela, o governo não tem poupado esforços desde a noite da tragédia na busca de alternativas “para garantir que as vidas das pessoas sejam preservadas”. Fernandes explicou que toda a infraestrutura pública e os espaços de saúde da rede privada foram abertos e colocados à disposição para o atendimento de emergência, em uma ação articulada.

No campo institucional, o Brasil também integra uma rede de apoio composta por 51 delegações estrangeiras presentes no território afetado. Como parte das ações conjuntas governamentais, a Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) montaram um hospital de campanha em La Guaira para a estabilização de vítimas. Paralelamente, o Consulado-Geral da Venezuela em São Paulo atua em uma frente restrita à arrecadação de equipamentos de proteção (como capacetes e botas) para as equipes de socorro.

Em meio ao cenário de destruição, a militância do MST e os estudantes brasileiros da Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) residentes na Venezuela encontram-se em segurança. Embora o prédio da instituição em Caracas tenha sofrido danos, todos estão bem, com acesso a água, alimentação e teto, e atuam agora na linha de frente do trabalho voluntário, colaborando na remoção de escombros, no funcionamento de cozinhas comunitárias e na gestão de postos de doações.

A tragédia, no entanto, levanta alertas sobre a cobertura e a disputa de narrativas acerca da nação caribenha. Rosana Fernandes advertiu sobre o posicionamento midiático diante do desastre, lembrando que a situação da Venezuela está em grande evidência nos últimos anos. “A imprensa burguesa vai usar de todas as possibilidades que tenha para contrapor ideias transformadoras e processos transformadores da sociedade”, ressaltou.

Para os interessados em colaborar com o apoio de saúde às vítimas, os recursos da campanha “Somos Venezuela” estão sendo concentrados pela Associação Brasil Popular. Os repasses podem ser feitos por meio da chave Pix [email protected] ou via transferência bancária para a conta da associação na Caixa Econômica Federal (Agência 7731, Conta Corrente 000577559406-8, Operação 1292). A verba será destinada integralmente ao atendimento das equipes de socorro e famílias desabrigadas.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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