Cinquenta e cinco anos após ter sua trajetória interrompida pela ditadura militar, Stuart Angel Jones receberá da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o diploma póstumo de economista. A cerimônia será nesta terça-feira (7), às 16h30, no Salão Dourado da Universidade, no campus da Praia Vermelha.
Stuart Angel foi sequestrado, torturado e morto por agentes do regime militar em 1971, aos 25 anos. Ele cursava Economia, era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e desapareceu naquele ano. Seu desaparecimento foi amplamente denunciado por sua mãe, a estilista Zuzu Angel. Após cinco anos de buscas pelo corpo do filho, que nunca foi encontrado, ela também foi morta pela ditadura em um acidente de carro. Desde então, a preservação da memória da família e de sua luta contra o regime militar tem sido conduzida pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart.
A solicitação da diplomação póstuma de Stuart Angel foi feita conjuntamente por Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel (Casa), do Instituto de Economia (IE) da UFRJ. “Hoje temos a missão e a honra de transmitir para a minha geração, para os que estão entrando no IE, o legado desse jovem, que foi meu antecessor, estudou nas mesmas cadeiras e salas que eu, no Palácio Universitário”, disse Duda.
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Certidões de óbito retificadas
As retificações das certidões de óbito tanto da mãe quanto do filho foram feitas pelo Estado brasileiro em 2019. O novo documento registra que sua morte foi “violenta, causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964”.
Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo, Hildegard Angel afirmou que o processo avançou com a chegada da procuradora federal no Estado de São Paulo Eugênia Gonzaga. “É irônico que o processo tenha terminado nesse governo”, disse, em referência à Presidência de Jair Bolsonaro.
Eugênia Gonzaga presidiu a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos de 2014 até agosto de 2019 e foi exonerada do cargo após se manifestar publicamente em defesa da família e da memória do desaparecido político Fernando Santa Cruz, em razão dos ataques do então presidente da República, Jair Bolsonaro, ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
