Julho das Pretas

Cine das Pretas celebra o 25 de Julho com debate sobre memória e protagonismo das mulheres negras no DF  

Exibição gratuita do filme 'A Noite de Alaíde' ocorre no domingo (26), às 11h, no Cine Cultura; veja como participar

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Alaíde Costa é uma das vozes fundamentais da Bossa Nova e teve sua trajetória retratada no filme A Noite de Alaíde.
Alaíde Costa é uma das vozes fundamentais da Bossa Nova e teve sua trajetória retratada no filme A Noite de Alaíde | Crédito: Divulgação/Sesc SP

O Movimento Negro Unificado do Distrito Federal e Entorno (MNU-DFE) promove, no próximo dia 26 de julho, a primeira edição do Cine das Pretas. A programação reúne a exibição gratuita do filme A Noite de Alaíde, às 11h, no Cine Cultura do Liberty Mall, seguida de uma roda de conversa sobre memória, representatividade e os desafios enfrentados pelas mulheres negras na sociedade brasileira.

A atividade integra as celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. A data foi instituída durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em 1992, na República Dominicana, como marco da luta contra o racismo e o sexismo. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII, por meio da Lei nº 12.987/2014.

Para o MNU, a programação busca fortalecer esse legado por meio da cultura e da construção coletiva do debate. Segundo a coordenadora distrital do movimento Brenna Villanova, o Cine das Pretas nasceu para celebrar uma data que simboliza a trajetória de luta e organização política das mulheres negras.

“A atividade Cine das Pretas é uma iniciativa do Movimento Negro Unificado do Distrito Federal e Entorno em celebração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data fundamental para reconhecer a trajetória de luta, protagonismo e organização política das mulheres negras no debate antirracista do país”, afirma.

O objetivo é transformar a sessão de cinema em um espaço de encontro entre mulheres negras, militantes, movimentos sociais e organizações parceiras para refletir sobre memória, cultura, direitos e representatividade. “A proposta é construir um espaço de encontro entre mulheres negras, ativistas, militantes, movimentos sociais, organizações e pessoas parceiras, promovendo reflexões sobre memória, cultura, representação, direitos e os desafios que ainda atravessam a vida das mulheres negras, como a invisibilidade”, destaca a coordenadora do MNU no DF.

Ela ressalta que celebrar a data também significa reconhecer o protagonismo histórico das mulheres negras na construção da sociedade brasileira e fortalecer o enfrentamento às desigualdades.

“Para o MNU, celebrar essa data também significa reafirmar que as mulheres negras sempre estiveram no centro das lutas pela transformação da sociedade brasileira. A atividade busca valorizar suas histórias, produções artísticas e contribuições políticas, ao mesmo tempo em que fortalece a organização coletiva e o enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às desigualdades”, completa Brenna Villanova.

Filme resgata trajetória de Alaíde Costa

Dirigido por Liliane Mutti, A Noite de Alaíde revisita a história da cantora, pianista e compositora Alaíde Costa, uma das vozes fundamentais da Bossa Nova. O longa acompanha a trajetória da artista desde a chegada às rodas musicais da zona sul do Rio de Janeiro, nos anos 1960, quando passou a dividir o cenário com nomes como João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Apesar da relevância para a construção do movimento, Alaíde teve sua carreira atravessada pelo racismo. O filme mostra como a cantora foi sendo apagada pela indústria fonográfica e lembra que ela e o pianista Johnny Alf, outro pioneiro negro da Bossa Nova, foram excluídos da histórica apresentação do gênero no Carnegie Hall, em Nova York.

Ao recuperar essa história, o documentário propõe uma reflexão sobre o apagamento de artistas negros na cultura brasileira e a importância da preservação da memória.

Debate reúne lideranças do movimento

Após a exibição, o público poderá participar de uma roda de conversa com Cristiana Luiz, co-coordenadora nacional de Formação do MNU; Maysa Lannah, coordenadora distrital de Juventude do MNU-DF; e mediação de Taty Costa, coordenadora distrital de Mulheres da entidade. A organização também informou que a professora e documentarista Edileuza Penha deverá integrar o debate, caso a agenda seja confirmada.

A entrada é gratuita, e o evento faz parte das ações do Movimento Negro Unificado para ampliar espaços de escuta, fortalecer a memória das mulheres negras e incentivar reflexões sobre cultura, direitos e enfrentamento ao racismo.

Saiba como participar

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia. Para garantir a vaga, basta enviar o nome completo para a organização pelos seguintes canais:


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Editado por: Flavia Quirino

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