O Festival da Rebeldia Cubana, evento que une cultura, solidariedade internacionalista e debates políticos sobre a resistência da ilha caribenha, será realizado no próximo domingo (26), a partir das 10h, no Espaço Cultural Elza Soares, no Campos Elísios.
A atividade integra oficialmente a Jornada pelo Centenário de Fidel Castro. Trata-se de uma das diversas iniciativas organizadas por movimentos populares em todo o Brasil para celebrar os 100 anos de nascimento do histórico comandante da Revolução Cubana e reafirmar o compromisso com a soberania nacional.
Em vídeo publicado nas redes sociais, João Pedro Stedile, liderança do MST, convocou os apoiadores: “Vamos reunir todo mundo, os militantes e os apoiadores, para uma bonita celebração. Tem maneira mais prazerosa de homenagear a revolução cubana e a resistência do povo cubano do que nos encontrarmos em torno da sua cultura?”
A programação terá início às 10h30, quando está prevista uma mesa de debate sobre o legado de Fidel e a atualidade de Cuba, reunindo o próprio Stedile, o jornalista e escritor Fernando Morais, a ativista Lina Noronha e o embaixador cubano no Brasil, Benigno Pérez Fernández.
O debate abordará os graves desafios econômicos enfrentados pelo país na atualidade e a relevância histórica da luta dos povos do Sul Global que buscam caminhos soberanos de desenvolvimento, autodeterminação e justiça social frente às pressões externas.
A partir das 12h30, os participantes poderão desfrutar de um almoço com cardápio e bebidas típicas cubanas. Na sequência, a partir das 15h, a programação cultural ganha força com apresentações de música ao vivo, dança tradicional e um sarau com microfone aberto para intervenções artísticas.
Além do caráter político e cultural, o festival possui uma meta de solidariedade. Todo o recurso financeiro arrecadado com o consumo de alimentos, bebidas e coquetéis ao longo do domingo será integralmente revertido para a campanha de compra de medicamentos básicos destinados a Cuba.
A arrecadação visa mitigar a escassez de insumos médicos de primeira necessidade na ilha, como dipirona, paracetamol e aspirina. Esse desabastecimento é ocasionado pelo bloqueio econômico, comercial e financeiro mantido de forma unilateral pelo governo dos Estados Unidos há mais de seis décadas.
Recentemente, as hostilidades estadunidenses escalaram com a aplicação de novas sanções contra dez entidades estatais cubanas. As medidas atingiram diretamente o Ministério do Turismo e empresas de comércio exterior e transporte portuário, como a Gecomex e a Gemar, visando asfixiar a economia e cortar divisas.
Esse cerco tem provocado impactos cotidianos sobre a população, com destaque para a crise de infraestrutura e apagões generalizados gerados pela asfixia de combustíveis fósseis. Em resposta, Cuba tem acelerado a transição para energias renováveis, sobretudo a solar, em parceria com a China.
Diante da crise, a solidariedade internacional tem atuado de forma prática. No último domingo (19), o veleiro Astral, da ONG espanhola Open Arms, atracou no porto de Havana trazendo sete toneladas de ajuda humanitária, incluindo insumos médicos e livros infantis arrecadados por movimentos europeus.
A doação da Open Arms priorizou o envio de painéis solares e baterias de reposição para garantir a autonomia energética da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e do laboratório clínico do Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, reduzindo os impactos do cerco sobre o atendimento médico infantil.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirmou a dignidade e a recusa de submissão do país aos ditames de Washington: “Não somos uma nação em disputa, nós não somos uma colônia, nem somos uma possessão para que alguém se aproprie de nós.”
Dia da Rebeldia
O Dia da Rebeldia Nacional, celebrado anualmente em 26 de julho, resgata a memória histórica do assalto aos quartéis Moncada, em Santiago de Cuba, e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, realizados em 1953 por um grupo de jovens revolucionários sob a liderança de Fidel Castro.
Embora a ousada ação militar tenha sido derrotada na época pela ditadura de Fulgêncio Batista, o episódio politizou a juventude cubana e funcionou como o motor impulsionador da insurreição armada na Sierra Maestra, culminando na vitória da Revolução em 1º de janeiro de 1959.
Serviço
Atividades Infantis: Contação de Histórias com Chiara Beltrame, inspiradas no livro “Che Guevara: os valores que meu pai me ensinou”, de Aleida Guevara.
Sábado (25), 11h; e domingo (26), 10h
Local: Espaço Cultural Elza Soares
Endereço: Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos, São Paulo (SP)
Festival da Rebeldia Cubana
Data: 26 de julho (domingo)
Horário: A partir das 10h
Local: Espaço Cultural Elza Soares
Endereço: Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos, São Paulo (SP)
Entrada: Gratuita (com consumo de alimentos e bebidas revertido para fins solidários)
Programação
10h30: Mesa de debate sobre o legado de Fidel Castro e a atualidade da Revolução Cubana – com João Pedro Stedile, Fernando Morais, Lina Noronha e o Embaixador cubano Benigno Pérez Fernández.
12h30: Almoço com cardápio típico e drinks cubanos.
15h: Apresentações de música ao vivo, dança, expressões artísticas, esportivas e sarau.
