Do jongo ao carimbó, passando pelo coco, pelas quadrilhas juninas e por manifestações tradicionais do Distrito Federal, mestres e mestras de diferentes regiões do país se encontram em Brasília nesta semana para celebrar e compartilhar conhecimentos das culturas populares.
Desta quinta-feira (27) a sábado (29), o Encontro de Mestres do Brasil ocupa a Arena Conic, no centro da capital, com apresentações gratuitas a partir das 17h. Entre os nomes que passam pelo palco estão Lia de Itamaracá, Mestre Ambrósio, Tião Carvalho, Martinha do Coco, Boi de Seu Teodoro, Carimbó Beija-Flor de Marudá e os Moçambiques de Osório e de Santa Efigênia.
A programação, no entanto, não se limita aos palcos. Desde o início de agosto, o encontro promove atividades voltadas à transmissão de conhecimentos entre gerações, com oficinas, rodas de conversa, formação e vivências em diferentes territórios do DF.
A proposta coloca em contato mestres, brincantes, artistas, estudantes e pesquisadores. Chamando atenção para uma característica central das culturas populares: conhecimentos que permanecem vivos não apenas pelo registro ou pela preservação, mas pela prática, pela oralidade e pela transmissão entre pessoas.
“Mais do que preservar manifestações culturais, mestres e mestras mantêm vivos modos de existir. O reconhecimento dessas lideranças nasce da experiência acumulada, da responsabilidade assumida diante do coletivo e da capacidade de formar, inspirar e transformar outras pessoas”, afirma o curador Anderson Formiga.
Saberes para além do palco
Parte das atividades deixa o centro de Brasília e chega aos territórios onde diferentes manifestações culturais são construídas no cotidiano.
Em Taguatinga, uma das vivências reúne o Jongo do Cerrado e as Sambadeiras, aproximando mestres, brincantes, jovens e moradores. Outro intercâmbio acontece com a Quadrilha Junina Filhos do Sol e chama atenção para o trabalho desenvolvido pelas quadrilhas durante todo o ano, para além das apresentações dos festejos juninos.
As atividades reforçam a presença das culturas populares do próprio Distrito Federal no encontro. Grupos como Boi de Seu Teodoro, Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, Pé de Cerrado e Jongo do Cerrado dividem a programação com manifestações e mestres vindos de outras partes do país.
“As culturas populares não existem de maneira abstrata. Seus saberes pertencem a comunidades, relações e lugares concretos. É nos territórios que eles encontram seus sentidos mais profundos e que a transmissão acontece de forma cotidiana”, afirma o curador Lucas Formiga.
Também fazem parte da programação as rodas Dois Dedos de Prosa, que discutem o que significa ser mestre ou mestra, as formas próprias de ensino desenvolvidas pelas culturas populares e os desafios enfrentados por artistas e grupos para acessar políticas públicas, editais e recursos para manter suas atividades.
Já nas oficinas vivenciais, o público é convidado a aprender pela prática. Há atividades de jongo, Dança de Espadas, música e movimento, práticas corporais, brinquedos populares e circo.
A programação formativa começou no dia 10 de agosto e incluiu ainda três encontros de formação em cenografia para as culturas populares, realizados em parceria com o Instituto Federal de Brasília (IFB).
Cultura também é trabalho e renda
Além da transmissão de conhecimentos, o encontro abre espaço para discutir as condições materiais necessárias para que grupos, artistas e comunidades consigam manter suas atividades.
Uma Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar reúne artesãos, artistas, produtores e agricultores e coloca em circulação produtos ligados às comunidades e aos territórios participantes.
O tema também atravessa as rodas de conversa, que abordam questões como acesso a políticas públicas e editais e sustentabilidade financeira de grupos e artistas.
A programação chega à reta final com três dias de apresentações gratuitas na Arena Conic. O público também poderá acompanhar Adiel Luna, Mestre Manoelzinho, Pé de Cerrado, Grupo Zenga, Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, Orquestra Alada Trovão da Mata e o Cortejo Tawá-Tingá.
O Encontro de Mestres do Brasil é realizado pelo Instituto Brasileiro de Inovação Cultural (Ibranova) e pela Formiga Produções, com curadoria de Anderson Formiga, Lucas Formiga e Dani Freitas. O projeto tem patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet, e recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).
Serviço
Data: 27 a 29 de agosto
Horário: a partir das 17h
Local: Arena Conic, Brasília (DF)
Entrada: gratuita, mediante retirada de ingresso (link aqui)
Programação
Quinta-feira (27)
13h20 – Vivência Territorial: Grupo Obará + Mestra/e convidada/o
16h – Café com Prosa (acolhimento)
17h – Mesa oficial de abertura
18h30 – Aula-espetáculo de Maracatu de Baque Solto (PE) com Mestre Manoelzinho Salustiano
19h – Boi de Seu Teodoro (DF)
20h – Grupo Zenga (DF) com Mestre Hugo Leonardo (PE)
21h – Orquestra Alada Trovão da Mata (DF)
22h – Lia de Itamaracá (PE)
Sexta-feira (28)
10h – Dois Dedos de Prosa: O que é ser mestre e mestra? / As diversas funções nas culturas tradicionais
10h – Oficina de Jongo com Mestra Jociara (RJ)
15h – Oficina Na Pisada do Pulso – Música e Dança com Helder Vasconcelos (PE)
20h – Jongo do Cerrado (DF)
21h – Martinha do Coco (DF)
22h – Mestre Tião Carvalho (MA)
23h – Pé de Cerrado (DF)
00h30 – Mestre Ambrósio (PE)
Sábado (29)
9h – Dois Dedos de Prosa: Experiências de aprendizagem / Formas de fazer, aprender e ensinar
10h – Oficina de Dança de Espadas com Mestre Antônio e Mestre Tarcísio (CE)
12h – Abertura da Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar
15h – Oficina de Danças com Maurício Badé (PE)
15h – Cortejo Tauá Tingá (DF)
16h30 – Circo Boneco e Riso (GO)
17h30 – Mamulengo Fuzuê (DF)
18h – Mamulengo Sem Fronteiras (DF)
19h – Moçambique de Santa Efigênia (DF)
20h – Maçambique de N.Sra do Rosário de Osório (RS)
21h – Adiel Luna convida João Arruda e Alexandre
23h – Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF)
01h – Carimbó Beija-Flor de Marudá (PA)
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