CINEMA

Festival de Gramado celebra resultados de evento voltado ao mercado audiovisual

Conexões Gramado Film Market abriu frentes de formação e realizou 134 reuniões de rodadas de negócios

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Residência para Jovens Cineastas integrou segmento mercadológico do Festival de Cinema de Gramado
Residência para Jovens Cineastas integrou segmento mercadológico do Festival de Cinema de Gramado | Crédito: Ticiane da Silva

“Um panorama amplo e completo” foi como a roteirista gaúcha Julia Cazarré resumiu a 1ª Residência para Jovens Cineastas, uma das novidades deste ano no 54º Festival de Cinema de Gramado. Durante três dias, os participantes, selecionados entre mais de 200 inscritos e representando nove estados brasileiros, tiveram contato com profissionais de diferentes áreas da cadeia audiovisual.

Mais do que uma sequência de atividades formativas, a proposta buscou aproximar jovens realizadores do ambiente em que os projetos são desenvolvidos, financiados, produzidos e distribuídos.

Cazarré considera que a iniciativa foi especialmente importante para quem está começando no cinema brasileiro. “Para muita gente que está começando e não teria acesso a esse tipo de oportunidade, gente que veio de outros estados onde o cinema é menos presente ainda do que aqui”, avalia.

“Foi um programa bem intenso. Deu pra ver um pouco de cada área do audiovisual, o que é bom pra refrescar o conhecimento sobre outras partes do processo que não sou tão próxima. Também foram abordados desde temas introdutórios até outros mais avançados, já discutindo inserção no mercado, contato com produtoras e projetos mais complexos”, prossegue a roteirista.

Julia Cazarré elogia a diversidade e a utilidade dos temas abordados nas mesas do programa
Julia Cazarré elogia a diversidade e a utilidade dos temas abordados nas mesas do programa | Crédito: Arquivo pessoal

“Sempre dava pra tirar algo de útil de cada mesa e era um espaço legal pra trocas, conhecer outros realizadores, principalmente aqui do estado mesmo, que não conhecia”, conta.

Das primeiras experiências de jovens cineastas às reuniões reservadas entre realizadores e grandes agentes do mercado, o Conexões Gramado Film Market ampliou o alcance em 2026. Na décima edição, a programação apostou em novas frentes de formação e articulação institucional, fortaleceu o ambiente de negócios e colocou em discussão caminhos para o desenvolvimento e a internacionalização do audiovisual brasileiro.

O movimento também aponta para uma ambição maior. Segundo o coordenador-geral do evento, Ralfe Cardoso, a intenção é aproveitar cada vez mais a capacidade de atração do festival. “O Festival de Gramado é um dos mais festejados e desejados que a gente tem na América Latina. A gente quer que o mercado alcance parte dessa potência”, afirma. Para Cardoso, o objetivo é consolidar Gramado também como ponto de encontro anual da indústria audiovisual.

Rodadas aproximam realizadores e agentes do mercado

Cineasta Felipe Iesbick participou de rodadas de negócios com diversas produtoras
Cineasta Felipe Iesbick participou de rodadas de negócios com diversas produtoras | Crédito: Cleiton Thiele/Ag. Pressphoto

Realizadas entre 15 e 19 de agosto, as Rodadas de Negócios somaram 134 reuniões, com a participação de 17 players — empresas e agentes do mercado audiovisual — e 53 candidatos com projetos selecionados. Ao todo, foram recebidos 156 projetos. Desses, 91 foram escolhidos pelos players para apresentação nas reuniões individuais. Entre as 65 produtoras e profissionais que enviaram propostas para avaliação, 53 conseguiram se reunir com pelo menos um agente do mercado, o equivalente a 81,5% dos inscritos.

Os encontros aproximaram grandes distribuidoras, produtoras e outros agentes de empresas e profissionais em diferentes momentos da trajetória. Entre os participantes, estavam desde jovens cineastas até profissionais com décadas de atuação em busca de parceiros para novos trabalhos.

Os projetos foram analisados previamente pelos players, permitindo que as reuniões fossem dedicadas à apresentação das propostas, à troca de informações e a orientações sobre possíveis caminhos de desenvolvimento.

O diretor e roteirista Felipe Iesbick foi um dos selecionados e concorda com o balanço divulgado pelo evento. “Para mim, sinceramente, foi uma das melhores edições que a gente teve, não só em relação aos players que estavam presentes, mas também à forma como as reuniões foram feitas”, relata.

Iesbick destaca o tempo maior e a atenção dedicada aos projetos. “Desta vez, eu acho que a gente tinha uma maior atenção dos players, a gente tinha um pouco mais de tempo também nesta vez. As reuniões podiam durar até 30 minutos, o que antes era no máximo 20 minutos. E dava pra ver que os players tinham lido os nossos projetos previamente”, acrescenta. Segundo o diretor, os roteiros e as principais informações são enviados com antecedência à organização.

Evento aproxima grandes agentes do mercado de profissionais de diferentes origens
Evento aproxima grandes agentes do mercado de profissionais de diferentes origens | Crédito: Cleiton Thiele/Ag. Pressphoto

O cineasta participa das palestras e dos concursos interativos desde 2018 e das rodadas desde 2023. Nesta edição, levou para a roda duas criações: “Um longa de comédia sobre três irmãos que não se dão muito bem e são filhos de um famoso apresentador de programas de auditório que precisam disputar a herança dele ao vivo; e uma série de aventura e comédia sobre um grupo de trambiqueiros arrependidos que resolvem usar suas habilidades em missões para ajudar pessoas comuns nas mais variadas situações”.

Possibilidade de novas parcerias

Para Iesbick, as conversas foram produtivas e a experiência valeu a pena. “Além de vários players muito interessantes desta vez, a gente fez uma seleção prévia de pra quem a gente queria mandar o projeto. E dava para ver que era uma conversa muito mais interessada sobre o que a gente quer apresentar para eles e, de repente, fazer uma parceria”, relata.

“Claro que a gente não tem como ter certeza se vai para frente ou não, mas só de ter a oportunidade de conhecer essas pessoas que a gente admira de longe e batalhar pelo projeto. E poder se apresentar e se fazer conhecer. As reuniões que eu tive foram muito bacanas mesmo, tanto pelas pessoas que eu conheci, quanto pela conversa que saiu delas”, acrescenta.

“Acho que foram umas cinco ou seis reuniões, e de todas saí muito feliz, pela sensação de que eu consegui falar dos meus projetos e alguém estava me escutando mesmo e que realmente não foi só para cumprir tabela. Então, essa edição foi a minha favorita e me faria voltar no ano que vem, com mais vontade ainda de participar”, afirma.

Editado por: Marcelo Ferreira

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