Uma cerimônia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prestou homenagem póstuma a estudantes e professores vítimas da ditadura com diplomas de conclusão de curso. O ato reuniu, na última quarta-feira (9), a comunidade acadêmica, familiares e movimento estudantil em um momento de reconhecimento e reparação.
Durante a cerimônia, o reitor Roberto de Andrade Medronho afirmou que a entrega representa o compromisso da UFRJ com a memória, a verdade e a justiça. “Ao concedermos postumamente estes diplomas aos estudantes e docentes que tiveram suas vidas e suas trajetórias acadêmicas brutalmente interrompidas pela ditadura militar brasileira, estamos dizendo que a violência pode interromper uma vida, mas não tem o direito de apagar uma história”, disse.
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O evento também marcou 106 anos da UFRJ. Para o reitor, a diplomação póstuma foi um dos atos mais significativos da história da universidade. “Mas, acima de tudo, um ato de compromisso com a democracia”, afirmou Medronho. A cerimônia foi realizada no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC/UFRJ), no bairro Flamengo.
Ao Brasil de Fato, a diretora da Universidade da Cidadania (UC/UFRJ), Eleonora Ziller, destacou o local da cerimônia como parte da história viva das lutas estudantis pela democracia.
“No final dos anos 1970, aquele prédio era a Casa do Estudante Universitário, e apesar da precariedade, naquele Salão nasceram muitos movimentos que fizeram o grande combate da redemocratização. É sempre bom lembrar que a democracia não é um estado que se conquista, é um processo de luta permanente, como hoje e sempre”, refletiu.
Foram homenageados com diplomas póstumos 23 estudantes e dois professores e pesquisadores da UFRJ que tiveram suas trajetórias interrompidas pela violência de Estado.
“Talvez uma das formas mais cruéis dessa violência tenha sido negar às famílias até mesmo o direito ao luto. Negar a uma mãe o direito de saber onde estava seu filho. Negar a uma família o direito de enterrar aquele que amava”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que pediu desculpa aos familiares pela demora na diplomação.
O estudante Stuart Angel Jones já havia sido diplomado em julho como bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Ele foi sequestrado e morto pela ditadura em 1971, aos 25 anos. Seu corpo jamais foi encontrado e seu desaparecimento foi amplamente denunciado por sua mãe, Zuzu Angel.
Confira a lista de homenageados:
• Adriano Fonseca Filho — IFCS
• Ana Maria Nacinovic Correa — Escola de Belas Artes
• Antônio Pádua Costa — Instituto de Física
• Antônio Sérgio de Matos — Faculdade Nacional de Direito
• Antônio Teodoro de Castro — Faculdade de Farmácia
• Arildo Airton Valadão — Instituto de Física
• Áurea Eliza Pereira Valadão — Instituto de Física
• Ciro Flávio Salazar Oliveira — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
• Fernando Augusto da Fonseca — Instituto de Economia
• Flávio Carvalho Molina — Escola de Química
• Frederico Eduardo Mayr — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
• Guilherme Gomes Lund — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
• Hélio Luiz Navarro de Magalhães — Escola de Química
• Jane Moroni Barroso — Instituto de Biologia
• José Roberto Spiegner — Instituto de Economia
• Kleber Lemos da Silva — IFCS, pesquisador
• Lincon Bicalho Roque — IFCS, professor
• Luiz Alberto A. de Sá Benevides — Instituto de Economia
• Maria Célia Correa — IFCS
• Maria Regina Lobo L. Figueiredo — Faculdade de Educação
• Mário de Souza Prata — Escola Politécnica
• Paulo Costa Ribeiro Bastos — Escola Politécnica
• Raul Amaro Nin Ferreira — Escola Politécnica
• Sonia Maria de Moraes Angel Jones — Faculdade de Administração e Ciências Contábeis
• Stuart Edgar Angel Jones — Instituto de Economia
