Acordo Irã-EUA

Irã anuncia canal de comunicação com os EUA para debater violações de acordo

Chancelaria iraniana esteve no Catar para discutir liberação de ativos congelados

No audio source provided.
Kazem Gharibabadi, vice-chancelar do Irã, confirmou negociações com o Catar acerca da liberação de ativos congelados.
Kazem Gharibabadi, vice-chancelar do Irã, confirmou negociações com o Catar acerca da liberação de ativos congelados | Crédito: Fabrice Coffrini/AFP

O Irã anunciou, na última quarta-feira (1º), a criação de um canal de comunicação com os Estados Unidos para tratar das violações do memorando de entendimento assinado entre os dois países. Segundo o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, o mecanismo vai servir para registrar formalmente eventuais descumprimentos por parte de Washington. 

A decisão foi tomada no marco das reuniões técnicas realizadas em Doha, no Catar, nesta semana. As conversas trilaterais contaram com as presenças de representantes do Catar e do Paquistão, além de autoridades iranianas. 

“A delegação iraniana levantou e examinou as violações dos Estados Unidos aos seus compromissos ao abrigo da cláusula 1 do memorando de entendimento relativo à cessação da guerra no Líbano, os relatórios sobre os esforços dos Estados Unidos para reforçar o equipamento e as forças na região, e algumas declarações ameaçadoras e intervencionistas por parte de funcionários dos EUA”, explicou Gharibabadi.

No último dia 17, Irã e EUA assinaram o documento para encerrar o conflito deflagrado no final de fevereiro. Pelo acordo, os países se comprometeram a chegar a um acordo final em um prazo de 60 dias, enquanto buscam aliviar as restrições de acesso ao Estreito de Ormuz. 

O entendimento, no entanto, ainda é frágil. Israel, um dos atores-chave da segurança estratégica no Oriente Médio, já manifestou insatisfação com a situação. Logo após o anúncio do acordo, as tropas israelenses seguiram atacando o Líbano

O Irã sustenta que os termos do acordo devem ser considerados integralmente. Na prática, Teerã defende o desbloqueio de fundos iranianos congelados no exterior e cobra que os Estados Unidos paguem US$ 300 bilhões para a reconstrução da estrutura iraniana, prejudicada pelos ataques estadunidenses e israelenses. 

No Catar, Gharibabadi se reuniu com autoridades do Banco Central do país. “Foram examinadas algumas questões relacionadas à destinação de parte dos US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões) iniciais, e decidiu-se que, de acordo com as necessidades anunciadas pelo nosso país, a compra dos bens necessários seria realizada e disponibilizada ao Irã”, disse a autoridade diplomática. 

Apesar do avanço, Irã e Estados Unidos ainda não conversaram diretamente. A delegação estadunidense, formada por Steve Witkoff e Jared Kushner, esteve em Doha nesta semana, mas manteve apenas conversas com altos funcionários do Catar.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter