Cristina Kirchner

Ato na Argentina cobra ‘investigação profunda’ quatro anos após atentado contra Cristina Kirchner

Em 2022, brasileiro disparou arma a centímetros da ex-presidenta, mas artefato falhou; não há avanço sobre mandantes

No audio source provided.
A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.
A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner. | Crédito: Luis Robayo / AFP

Há quatro anos, a ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, sofria uma tentativa de assassinato promovida pelo brasileiro Fernando Sabag Montiel. Na ocasião, Montiel apontou uma arma a centímetros da cabeça da ex-presidenta e chegou a apertar o gatilho, mas a arma não disparou.

Na última terça-feira (1), data que marcou a efeméride, centenas de apoiadores de Cristina se reuniram em frente ao prédio onde a ex-presidenta cumpre prisão domiciliar, no bairro de Constitución, em Buenos Aires. 

No ato que rememorou o atentado, Cristina apareceu na sacada do apartamento e acenou à multidão. Na rua, o filho da ex-presidenta, Máximo Kirchner, fez um discurso em que lembrou que “a democracia não permite a eliminação do adversário”. Kirchner cobrou a Justiça argentina, pedindo uma investigação mais aprofundada sobre o caso. “Aqueles que planejaram e financiaram o ataque estão, agora, fora do alcance da Justiça”, lembrou Máximo. Em 2025, Fernando Montiel foi condenado a 10 anos de prisão

A pouco mais de um ano da eleição presidencial argentina, o evento desta semana foi marcado pelo caráter político. No discurso, Kirchner argumentou que a ex-presidenta não estaria proibida de se candidatar. “Nós somos os que queremos votar nela”, afirmou.

O filho de Cristina também fez referência ao recurso apresentado pela defesa ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que pede a reabilitação política da ex-presidenta. Em 2025, a Suprema Corte argentina proibiu Cristina de se candidatar a cargos públicos, em decisão com efeito vitalício. 

Kirchner também criticou a política econômica do governo Javier Milei. “Os argentinos foram enganados. Disseram-lhes que seus rendimentos seriam dolarizados. A Casa Rosada [sede do governo da Argentina] deve pertencer novamente a todos os argentinos”, afirmou. 

No discurso, o filho da ex-presidenta também indicou que a oposição ao governo Milei deve alinhar o discurso contrário às medidas da gestão de extrema direita. “Não se trata de que eles [trabalhadores] vão receber em dólares. O que foi dolarizado foi a tarifa de serviços públicos. Precisamos falar melhor sobre alguns dos nossos problemas e explicar melhor às pessoas o que acontece com esse tipo de governo”, lembrou.

Quem também se manifestou sobre os quatro anos do atentado contra CFK foi o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, um dos nomes cotados para liderar a oposição contra Milei no pleito presidencial do ano que vem.

“É realmente grave que a quatro anos dessa tentativa de assassinado a investigação não tenha apresentado nenhum resultado sobre os mandantes. Hoje, Cristina continua injustamente detida e a tentativa de assassinato que ela sofreu permanece impune”, criticou o governador peronista.

Na época do atentado, Cristina recebeu manifestações de solidariedade de algumas das figuras políticas mais proeminentes da região. Naquele setembro de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), então candidato no pleito que aconteceria no mês seguinte, disse que a ex-presidenta da Argentina foi “vítima de um fascista criminoso que não sabe respeitar divergências e a diversidade”.

Editado por: Lucas Estanislau

|

Newsletter