águas passadas

Bolsonaro perde relevância e mercado já não reage às suas movimentações, afirma economista

Para Oreiro, prisão do ex-presidente não impacta economia, mas há risco em reação de Alcolumbre a Messias ao STF

No audio source provided.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe | Crédito: Evaristo Sá/AFP

A prisão definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não deve provocar um impacto econômico, segundo o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele afirmou que “Bolsonaro já perdeu a relevância dele faz muito tempo” e que o mercado não reage mais às movimentações do ex-presidente. “A prisão do Bolsonaro, realmente, nessa altura do campeonato não tem nenhuma relevância”, acrescentou.

Oreiro avaliou que a recente o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados, Donald Trump, também “não tem nada a ver” com a prisão de Bolsonaro, apesar de o ex-presidente e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), terem pressionado pela medida. A medida foi revertida após negociações com o governo, inclusive com uma reunião entre os próprios presidentes Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o economista, o estadunidense percebeu que foi induzido a uma avaliação falsa pelos bolsonaristas e que as tarifas prejudicavam os próprios EUA. “A demanda de café é inelástica: o consumidor americano não vai deixar de tomar café se o preço aumentar”, exemplificou. Na sua análise, isso levou o republicano a recuar. “Trump percebeu que era melhor para ele simplesmente conversar com Lula e voltar atrás em várias das medidas”, resumiu.

O que tem peso econômico, disse o professor, são as tensões no Congresso. Ele citou como exemplo a reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). “Em um movimento claramente retaliatório, anunciou uma pauta bomba, que essa sim tem efeitos econômicos sobre a percepção de evolução da relação dívida e PIB [Produto Interno Bruto]”, afirmou.

A pauta à qual Oreiro se refere é o Projeto de Lei Complementar (PLP) que estabelece uma aposentadoria especial para agentes de saúde.

MP do setor elétrico: impacto tarifário e erro estratégico

José Luis Oreiro também comentou a Medida Provisória (MP) que reformula o marco do setor elétrico e pode elevar em até 6% a conta de luz, segundo associações do setor. Ele apontou que há divergências sobre o real impacto, mas indicou que a raiz do problema é que “tanto a energia eólica como a energia solar são fontes intermitentes”.

Para garantir previsibilidade ao investidor, o governo compensa períodos de baixa geração – custo repassado ao consumidor. A solução, defendeu o economista, seria reforçar a energia nuclear. “O Brasil é um país que não tem terremotos, não tem maremotos. Nossa geografia permite uma geração bastante segura de energia nuclear, que não é intermitente”, sugeriu.

Para ele, a escolha brasileira por expandir eólicas e solares é o que “gera esse tipo de problema” no sistema elétrico.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter