Jorge Branco

Pesquisador Pós Doc UFRGS e Professor da ULBRA.

Trump, Rubio, Bolsonaro e Castro: o futuro do pretérito composto

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Trump não reconhece ter cometido algum erro
Donald Trump afirmou que “morreria uma civilização inteira para nunca mais ser ressuscitada” | Crédito: Mandel NGAN / AFP

A grande questão é: quais são as forças do Brasil para resistir à essa ação colonialista?

​Em outubro de 2025, as forças policiais do Governo do Rio de Janeiro, sob o comando de Cláudio Castro, realizaram uma operação de guerra assimétrica contra uma organização criminosa, vinculada ao Comando Vermelho (CV), em uma comunidade pobre da cidade do Rio. O resultado foi de 122 mortos, entre eles cinco policiais. Os corpos estendidos em uma viela foram a imagem da violência e não da segurança.

​A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em seu relatório de 6 de março de 2026, classificou a operação como inútil e ineficiente para enfraquecer o crime organizado. Diz o relatório: 

“Diante da expansão territorial, econômica e social das organizações criminosas no Rio de Janeiro, o Estado historicamente respondeu por meio de abordagem predominantemente repressiva, caracterizada por políticas de endurecimento penal, aumento de penas e criação de novos tipos penais. Segundo informação recebida, essa resposta não tem priorizado o desmantelamento das estruturas econômicas, políticas e financeiras do crime organizado, mas se concentrado na intervenção direta e frequentemente violenta nos territórios onde essas organizações operam. Assim, a política de segurança pública consolidou-se como resposta militarizada a um fenômeno estrutural, reproduzindo dinâmicas confrontacionais que afetam desproporcionalmente as populações residentes nas favelas. ”

A política militarizada de guerra à insegurança se mostra incompetente para enfrentar o tema. A ciência das políticas públicas, da segurança e da criminologia demonstra que o enfrentamento violento ao crime organizado é um mecanismo, apenas, a compor uma estratégia e uma política, nunca a própria política. Ao fim e ao cabo, descobrimos que o comandante da ação, Cláudio Castro era o bandido.

A decretação unilateral do Departamento de Estado dos EUA, qualificando organizações criminosas e mafiosas brasileiras como organizações terroristas não aponta nenhuma esperança de desmantelá-las. A guerra às drogas, aditada à guerra ao terror, não obteve resultados positivos, nestas últimas décadas, em nenhum lugar. Ao contrário, as organizações criminosas mostraram aprender a se relacionar com todas as agências que passaram a se envolver. As evidências de que a própria CIA, agência de espionagem e contra inteligência dos EUA, passou a cooperar com grupos narcotraficantes é um sinal de alerta sobre o que está por vir em relação ao Brasil.

​O que estamos enfrentando não é uma ampliação da cooperação estatal no combate ao crime organizado, mais do que justificável e altamente necessário uma vez que são os EUA o centro da lavagem mundial de dinheiro mal havido, mas um ato de guerra “suave” contra a soberania brasileira. Porta de entrada para ações nos demais países latino-americanos. As leis de combate aos crimes financeiros e ao crime organizado já possuem instrumentos suficientes de combate às máfias, o que dispensaria um instituto deste tipo. A classificação unilateral de narcoterroristas não está amparada em acordos e no direito internacional, trata-se de uma lei doméstica que legitima uma escalada imperialista nas ações dos EUA em sentido de intervenções militares, assimétricas e, até, clássicas.

Esta classificação se junta à aplicação unilateral da “Lei Magnitsky”, às tarifas comerciais e às sanções contramedidas de proteção nacional, com a LGPD, Marco Civil da Internet e a regulação das redes digitais. Este conjunto tem por objetivo molestar os ferramentais de proteção e soberania do país. Trata-se de permitir o acesso das empresas americanas a recursos, dados e informações críticas próprias do Brasil, como minerais raros, petróleo, relações comerciais e estratégicas e, inclusive, grandes bancos de dados pessoais hoje protegidos pela legislação brasileira.

​Notoriamente, é uma operação de política interna também. Rubio é candidato da extrema direita à presidência dos EUA. O enfrentamento ao Brasil, à Venezuela, à Colômbia e, em especial, Cuba é tratado pelo trumpismo como um ativo eleitoral favorável ao MAGA.

​A grande questão é: quais são as forças do Brasil para resistir à essa ação colonialista? Sabemos que o grande elemento para isto é o apoio popular às políticas soberanistas de resistência e a reeleição do Presidente Lula. A existência de uma força de extrema direita relevante agindo como quinta coluna dos interesses estadunidense e confundindo a opinião pública, enfraquece a capacidade de resistência. Assim como uma elite militar, dirigente das Forças Armadas, formadas na política de integração aos EUA diminui o entusiasmo dissuasório.

​Efetivamente, a tentativa de interferência do trumpismo e dos EUA na política brasileira será componente decisivo do embate eleitoral do final do ano. A mobilização política, a partir do engajamento eleitoral, será fundamental para a defesa da soberania. A vitória do bolsonarismo seria um desastre de décadas para o país.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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